Olá, Amigo leitor,
A música é divina. As vezes crio ouvindo clássicos. Até sertanejo e pagode, tipo SPC, dão o tom para a escrita. E rock? Nem se fala. Agora mesmo tô ouvindo os gritantes Linkin Park.
Qualquer melodia é bem-vinda, desde que nos anime.
Brigadaço pelo espaço. Sorte pra ti.
Ronaldo
msn: ronaldo@ronaldoduran.com
por ronaldo duran*
Acredito que o peão de obras não precisa ser tão vulgar. Por causa desse desabafo fiquei mal visto pelos colegas de profissão por um bom tempo. Mas que fazer?! Cada um com sua cruz. Advogar uma idéia, defender uma postura sempre gera conflitos, principalmente se destoa do grupo ao qual você pertence.
A indignação já é minha velha conhecida. E mesmo após trinta anos de profissão, ela persiste. É claro, na minha idade, o fervor de se opor fica mais derretido. A rebeldia do jovem dá espaço para uma atitude mais reflexiva. Dizem que é acomodação. Pode ser!
Entrei na profissão como tradicional ajudante de pedreiro. E desde que descobrir em mim racionalidade, nutri pela profissão um misto de amor e ódio.
Amor pela construção. A capacidade de levantar uma parede, fazer reparos, ser bem visto pelo meu paizão, pois eu fui o único que o seguiu na profissão. Ah, tinha o peso de filho mais velho, que devia logo ser prestativo. Mas se fui empurrado para ser pedreiro, só permaneci sendo por gosto.
O ódio era o jeito de falar, de se comportar, de se vestir, de rotar, de cuspir, dos primeiros pedreiros que vi pela frente. Mesmo meu pai não sendo perfeito, longe de se rebaixar a tanto. Na década de sessenta a coisa era mil vezes mais grotesca. A marmita gelada. Após o almoço, o cochilo jogado sobre entulhos. Os dentes cariados e podres fruto do desleixo, falta de educação.
Não foi uma ou duas vezes que pensei em dar no pé e não aparecer mais na construtora.
Mas sempre tem algo que te irrita mais no meio de tanta lama. O pior era o assédio à mulher que passava na rua. Sei lá, ouvir a peãozada falando que lambia, que chupava, que comia. Era uma manga, carne moída, ou mulher de quem falam? Eu era virgem cheio de ilusão. Talvez por isso ficava desolado com os comentários.
Mas eu acredito que a gente pode desejar, que pode ser um super-homem na cama (se é que existe algum) sem precisar ficar espalhando aos quatro ventos que é o tal.
Claro que eu sou homem. Quando vejo uma bela mulher desfilando pela rua eu a aprecio, sem usar de palavras chulas. Porque poderia ser minha filha, mulher ou mãe que vai lá na frente. Nada de dissimulado, apenas respeitador.
Na verdade eu estava namorando. Eu gostava muito da Suely. Eu era romântico. Se eu não fosse filho do pedreito chefe, os caras, claro, que teriam me mandado para a rua quando eu falei cão que muito ladra, pouco morde. Sugeri que quem precisava falar muito sobre sexo é porque fazia pouco ou de modo pouco prazeroso. Meti o dedo no olho do machismo. Quase linchado.
Estudei edificações. Depois surgiu a oportunidade de cursar engenharia. Sou caso raro, quase não conheço ex-servente de pedreiro que seja engenheiro civil. Mas eu batalhei, porque sempre fui meio revoltado em me subjugar.
Minha empreiteira está longe de ser uma clínica de odontologia ou rosado salão de beleza, como alguns maliciam. Mas meu pessoal tem uma sala asseada e confortável para que possam fazer suas refeições e descansar com dignidade.
* Escritor, romancista, contista, autor do livro SONHAR É BOM, VIVER É MUITO MELHOR. Disponível pelos fones 012 30194761 e 012 81523733.
Nenhum comentário:
Postar um comentário